Paguei Caro Para Aprender- Lições 1-3, de 6

Publicado em Iniciantes, Recursos Marketing de Rede

Eu trabalho em Marketing de Rede desde  2005. Durante 3 anos e meio numa empresa líder do seu segmento. Aí aprendi como fazer algumas coisas e como não fazer muitas outras. A essa empresa tenho a agradecer para o resto da vida ter-me despertado para o multinível e ter-me dado a conhecer o meu patrocinador que hoje é um dos meus melhores amigos.

Actualmente olho para trás, de cima do sucesso em multinível que já consegui, e vejo perfeitamente o que estava errado e porque é que eu nunca iria ter sucesso duradouro naquela empresa e, principalmente, naquele grupo de trabalho.

Hoje vou falar acerca do que aprendi a não fazer. Esta aprendizagem custou-me 3 anos e meio de vida e muitos milhares de euros. Pode ser que fique grátis para ti em tempo e dinheiro. Bem, em tempo não será grátis porque precisas de, pelo menos, investir uns 10 minutos a ler este post, mas acho que vais dar por bem empregue o teu tempo.

Lição 0 (zero): tirar algum tempo para ler este artigo e o seguinte, nem que seja às prestações, porque eles são assim a modos que um bocadinho a dar para o comprido. Hoje 3 lições, depois as outras 3, para não ficar tão longo.

- A Sacola Rota

Um dia, num treino de liderança daquela empresa, ouvi um orador, no topo do topo da carreira, contar uma história para nos ajudar a entender as dinâmicas do negócio.

“O nosso negócio é como uma sacola rota. Vocês trazem pessoas para dentro da sacola, mas como ela tem buracos algumas acabam por cair. O segredo do sucesso é simples: basta manter a entrada de pessoas maior que a saída.”

O que é que está correcto neste exemplo? O facto de algumas pessoas desistirem.

O que está errado neste filme? Haverá sempre pessoas a desistir seja do que for, mas tu nunca terás um negócio sério se não descobrires o que leva essas pessoas a ir embora e não deres o teu máximo para criares soluções duradouras para elas e para quem vier a seguir. As pessoas não são números.

No dia em que se inscreveram como teus patrocinados tu assumiste um compromisso com elas e com a realização dos seus sonhos. Não podes ir buscar o argumento da mudança de vida, acordar sonhos adormecidos, voltar a dar uma razão à vida de uma pessoa e depois procurar outra que a venha substituir dentro da sacola quando esta descobrir que tu estás demasiado ocupado em manter os números altos mas que não te interessas realmente pelas pessoas.

Já ouviste falar em Ladrões de Sonhos? Se fazes o que expliquei acima, tu és um deles, e um da pior espécie, porque acordaste um sonho adormecido e depois roubaste-o deixando a pessoa ainda pior do que antes, mais desconfiada e mais desiludida.

Desculpa eu falar na segunda pessoa, como se tu fizesses tudo isso. Não leves a mal, é só uma força de expressão. Eu não sei se o fazes ou não, só tu é que poderás saber. Uma coisa é certa. Se a tua liderança te orienta nesta direcção, está a dizer-te o que irão fazer contigo na primeira oportunidade. O teu valor resume-se ao dinheiro que lhes dás a ganhar.

Lição 1: ”O teu negócio não é de pontos mas de pessoas. Os pontos são uma consequência da forma como desenvolves o potencial das pessoas.” – Mais em “As Piranhas do Marketing de Rede

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- O Cheque Tem Sempre Razão.

Um dia, na casa do meu patrocinador, assisti a uma reunião de grupo orientada por um upline nosso, no topo da carreira. Fiquei impressionadíssimo com as palavras dele. Ele ralhava com toda a gente, insistia que não fazíamos pontos e que não valíamos nada, que toda a gente andava a brincar e que o negócio não crescia.

Eu pensei com os meus botões que raio de coisa era aquela. Eu não tinha nenhum patrão e não me inscrevi para ser humilhado, mas o pessoal parecia estar todo a aceitar bastante bem, aparentemente. Pensei em dizer que, se o grupo não funciona é porque a liderança não funciona, uma vez que é sabido que a responsabilidade é sempre do líder, se ele for de facto um líder e não um idiota qualquer, mas não disse nada.

A certa altura perguntei o que deveria fazer nesse Verão, uma vez que ia ao Canadá por um mês inteiro, para aproveitar o tempo, os contactos e aumentar o negócio. A resposta dele foi claríssima e cito textualmente:

“Se fizeres o mesmo que tens feito até agora, o melhor mesmo é ficar quieto.”

Eu ainda insisti, pedindo dicas, mas ele limitou-se a humilhar-me ainda mais. Nesse dia decidi fazer do mês de férias o meu melhor mês de sempre, provar que ele estava errado e, ao mesmo tempo, deixar de falar com ele e fazer as coisas à minha maneira. Foi o princípio do fim da minha presença nessa empresa.

Algumas das pessoas da sala falaram, mas sempre que não estavam de acordo com ele a resposta final era: “Quem é que tem o cheque? És tu ou sou eu? Ora, se eu é que tenho o cheque eu é que tenho razão.” Esta atitude do “cheque é que fala”, “o cheque é que tem razão”, manteve-se e mantém-se, que eu tenha conhecimento, na cultura da empresa abafando completamente todo o valor das pessoas que ainda não tinham o cheque para dar autoridade às suas opiniões.

Durante esse mês de Agosto eu fiz 15 mil pontos e inscrevi 3 pessoas novas. Fiz mais negócio que esse upline inteligente no topo da carreira, e, em Setembro, fiz 20 mil. Hoje, 90% das pessoas que estavam naquela reunião já não estão nessa empresa, entre elas o meu patrocinador que estava, ele mesmo, numa posição de topo.

Lição 2: ”O cheque NÃO tem sempre razão. Um líder é-o pelo serviço que presta e não pelo dinheiro que ganha.” Mais aqui: “Poder ou Serviço?

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- Ostentação

Nessa empresa, o principal argumento de recrutamento era a ostentação de resultados. Frequentemente esta ostentação tornava-se ofensiva. Aliás, as palavras associadas com essa ostentação eram, em si mesmas, muitas vezes ofensivas para pessoas que lutam para pagar as contas. Dizer quanto ganham, os carros que conduzem tem os seus resultados, assim como dizer que têm uma vida perfeita, trabalham quando querem, têm férias quando querem, dormem até ao meio dia. Mas também tem os seus problemas.

Os defeitos que tem a ostentação são pelo menos estes dois:

O primeiro é que cria nos prospectos a ideia de que irão ganhar fortunas trabalhando pouco. Essa é uma péssima forma de iniciar um negócio: querem os resultados rápidos, e pensam, acertadamente, que os conseguirão imitando quem já os tem. O problema é que o exemplo que a liderança dá não corresponde com o que é necessário fazer de facto, e que é trabalhar muitíssimo. O que o novo distribuidor ouve e vê é o contrário. Assim ele pensa que vai ficar rico dormindo até tarde, trabalhando uma ou duas horas por dia, fazendo férias mês sim, mês não.

O segundo é ainda pior:

Eu conheci várias pessoas realmente fantásticas nessa empresa. Uma delas, com quem nunca trabalhei de perto, teve um crescimento meteórico. Com 22 anos começou a crescer muito no seu negócio e a ganhar bastante dinheiro. Um dia em que estávamos sentados juntos num evento, alguém estava a ostentar um carro novo, de luxo, e ele disse-me que não tinha nenhuma predilecção especial por carros, mas que estava a ser pressionado pelo grupo para comprar um Porsche. “Tens de mostrar o teu sucesso” diziam-lhe, de acordo com as palavras dele.

Uns meses depois ele mudou de pin, passou a ganhar ainda mais, e um dia vi-o com o cabelo pintado (com madeixas), e um Porsche. Nesse evento ele foi ao palco, voltou a falar da vida simples que tinha levado desde criança e disse que o seu sonho de sempre era ter um Porsche. Finalmente tinha concretizado esse sonho. Pessoalmente fiquei um pouco triste porque eu sabia que o carro nem significava nada para ele, mas a ostentação era uma ferramenta de recrutamento. Bastante cara por sinal.

Um ano depois, já eu tinha saído dessa empresa, um conhecido comum disse-me que lhe tinha comprado o carro e que ele estava falido. Agora era caixa num supermercado e nem queria ouvir falar em multinível.

A pressão para ostentar resultados, sabe Deus com que preço, levou a melhor sobre as finanças dele. Mas o mesmo se passou com muitas outras pessoas: depois de algum tempo no negócio entendiam que tinham de ostentar riqueza para terem sucesso. Esse é um vício da atitude mortífero, porque a ostentação, frequentemente acima das posses, é meio caminho para a falência. E, quando não é acima das posses, é meio caminho para a solidão.

Lição 3: “Tu não és pior nem melhor que o teu prospecto. Coloca-te ao lado dele e não num pedestal. Tu queres recrutar um companheiro de trabalho e não um admirador.”

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Próximas Lições:

  • Deixar o Cérebro Nas Outras Calças
  • Agora Desenrasca-te
  • Uma Casa Sem Alicerces e Uma Omeleta Sem Ovos