O Meu Ferrari Não Anda
Publicado em Recursos Marketing de Rede
Todas as formações de multinível a que assisti, todos os livros que li e todos os seminários em que participei, dizem, numa determinada altura algo parecido com isto: “não inventes, só tens de copiar” ou então “observa quem tem mais sucesso que tu e copia as suas acções”, ou ainda “basta fazer o mesmo que ele (o líder) para teres os mesmos resultados”.
Devo dizer-te que isso é um engano. Não é só um engano, é um engano mortífero para ti. Quando alguém te diz alguma daquelas afirmações ou outras do mesmo teor, por muito boas intenções que tenha, está a dar cabo do teu negócio no médio prazo, simplesmente porque aquilo é uma mentira. Vais saber neste artigo, porque é que fazendo as acções que outra pessoa faz, não terás os mesmos resultados que tem essa pessoa. É por isso que estás cansado de ver lutadores impressionantes a baterem repetidamente com a cabeça na parede, fazendo o que outros fazem e não têm quase resultados nenhuns. Talvez tu mesmo tenhas passado por isso. Eu passei.
Então, depois de uns meses ou uns anos fazendo o que te dizem, chegas à conclusão de que “não funciona comigo”, “não é para mim”, sem sequer entenderes porque é que um teu colega ou conhecido ou upline faz meia dúzia de coisas e inscreve um batalhão de pessoas e tu, fazendo um batalhão de coisas inscreves meia dúzia de pessoas.
A explicação é muito simples. Tão simples que já arranquei umas dúzias de cabelos com raiva por não ter descoberto isto há mais tempo. Vou dar-te um exemplo, vais entender na perfeição:
Imagina que estás numa sala com outras pessoas. O teu upline está sentado numa cadeira encostada à parede ao lado de um interruptor perto da entrada da sala. A conversa vai decorrendo, o dia vai acabando e a sala começa a ficar na penumbra. Então o teu upline estica o braço esquerdo por cima do ombro direito, carrega no interruptor e acendem-se as luzes da sala.
Espectáculo, de repente fica tudo iluminado. Realmente havia alguma coisa que não estava bem, afinal era só a falta de luz. Agora está tudo ok. O teu upline é um espectáculo. Tu, por teu lado, observaste a acção dele (levantar o braço esquerdo sobre o ombro direito, atingir o interruptor na parede) e observaste o resultado: luz abundante. Então pensas contigo: Ah! Já sei, quando a sala estiver escura levanto o braço esquerdo por cima do ombro direito e carrego no interruptor. Isso vai iluminar a sala.
Aprendeste muito bem a lição. Então reparas que, no local onde estás, não há nenhum interruptor. A parede atrás de ti está vazia, mas como és inteligente e sabes resolver problemas, pensas que precisas de um interruptor para a coisa funcionar.
No dia seguinte vais a uma loja de material eléctrico e compras um interruptor igualzinho ao do teu upline, e um rolo de fita dupla-face adequada. Assim que chegas à sala, sentas-te no teu lugar, verificas as distâncias e colas o interruptor à parede com a fita. Depois aguardas tranquilo, estás preparado. Quando a penumbra enche a sala, tu sabes o que fazer e estás entusiasmado. Levantas o braço esquerdo por cima do ombro direito e carregas no interruptor. Que acontece? Luz? Não. Não acontece nada. Tu não compreendes: tens exactamente o mesmo interruptor, executaste precisamente o mesmo movimento mas o resultado não foi o mesmo. Não compreendes.
Então o que fazes? Tentas de novo. Levantar o braço, carregar no botão. Nada. Continuas a tentar mais uma e outra vez. Nada. Nessa altura, confuso, decides pedir ajuda ao teu upline. “ouve lá, o que é que eu estou a fazer errado?” e ele responde: “nada, não estas a fazer anda de errado, tens é de fazer mais vezes, tens de te tornar um carregador de botões experiente”. É que ele também não compreende o que se passa, deveria funcionar. Para demonstrar, não vás tu ter copiado errado, ele senta-se na cadeira dele, levanta o braço por cima do ombro e carrega no botão. Luz. “Vês como se faz?”, e tu vês, mas daí a conseguir acender luzes vai uma enorme distância. O triste desta história é que tu irás continuar a carregar no botão, e vais desanimar. Então assistes a uma palestra motivacional que te diz para nunca desistires do teu sonho, e tu ganhas novo ânimo para continuar a carregar no botão, e carregas, carregas, até ficares com cãibras ou até te dares por vencido e desistires do negócio.
Claro que tu achas esta história ridícula e improvável, mas quase aposto que ela serve como uma luva para explicar praticamente todos os teus fracassos em multinível. Tens os meios (a cadeira, o interruptor e as lâmpadas), tens as acções (levantar o braço por cima do ombro e carregar no botão do interruptor) mas não tens os resultados por um motivo muito simples: falta-te um sistema de ligação entre os meios e as acções e os resultados. Eles não estão ligados, não tens um sistema por detrás que permita que os teus meios e as tuas acções produzam resultados. O teu upline, se tem os resultados, tem esse sistema, mas ele não o entende. Pensa ainda que basta ter os meios e fazer as acções.
Outro exemplo:
Tu és um habilidoso com as mãos e consegues fabricar praticamente tudo em que pões as mãos e a mente. Trabalhador, inteligente, motivado. Um dia passa por ti na estrada um Ferrari 599 GTB. És apaixonado por aquele carro e vais à Internet procurar todas as fotografias que conseguires, exteriores, interiores, detalhes, tudo.
Depois vais para a tua oficina e começas a construir o teu próprio Ferrari 599 GTB. Como és trabalhador, motivado e inteligente, em pouco tempo tens um carro exactamente igual àquele que passou por ti na estrada. Um sonho. Os mesmos pneus reluzentes, a mesma carroçaria brilhante, o mesmo volante, os mesmos bancos desportivos. Tudo até ao mais pequeno detalhe. Foste perfeito. Observaste e reproduziste.
Então assim que deste os últimos retoques, abres o portão da oficina, entras no carro e metes a chave na ignição. O teu coração está aos pulos de entusiasmo. Não tem como não dar certo. Este carro é exactamente igual àquele que passou por ti a 300 Km por hora. Dás à chave e… nada. Nem pia, nada, não faz nada, não arranca, não se mexe nem um milímetro. Porquê? Fizeste tudo exactamente igual ao que viste, seguiste todas as dicas e conselhos! Porque é que não se mexe? Nem sequer arranca?
Porque não tem um motor, nem transmissão, nem nenhuma das peças que ele precisa para funcionar mas que não estão visíveis. Tu copiaste tudo perfeitamente, mas não copiaste um sistema que funciona por debaixo do que aparece à vista. Esse é o sistema que o interruptor colado na parede também não tinha.
Agora verifica o seguinte: Será que o que te dizem para fazer está a produzir algum resultado? Se fores preguiçoso, ou convencido de que sabes tudo e não és ensinável, este artigo não é para ti. Este artigo é para quem sabe seguir e segue instruções e é inteligente, motivado e trabalhador. Tu, que és assim, fazes as acções mas não tens resultados?
Então tens de procurar um motor para colocares no teu Ferrari ou uma instalação eléctrica escondida que ligue o teu interruptor à rede eléctrica e às lâmpadas. Se não o tens, deixa que te diga, podes ser um escravo de trabalho, ter motivação digna de um orador motivacional, e uma persistência de elefante, mas nunca irás fazer sair o teu belo Ferrari da oficina. Tens esperança? Claro que sim, todos temos, mas tu, assim como eu fiz, tens de procurar e encontrar uma rede eléctrica à qual te ligares e um fornecedor de peças que coloque o teu Ferrari a 300 km por hora, como ele merece.












Boa, Rui. Belo artigo. Você é expert no assunto. “Ensinas a bater logo no “boi”, dá muito mais resultado que bater na cangalha”
Gostei.
Ataide Farias – Brasil – São Paulo
O Ataíde tem razão: ótimo o artigo do Rui Gabriel. Achei geniais as comparações com a rede elétrica e com o motor da Ferrari.
OI RUI, MUITO BOM ESTE TEU ARTIGO, PODES MANDAR MAIS PRECISAMOS ESTAR SEMPRE APRENDENDO MAIS. GOSTEI DEMAIS DA FRASE: 2010 VAI SER O TEU ANO. QUE SEJA O NOSSO ANO, MELHOR AINDA QUE 2009. UM GRANDIOSO ABRAÇO.
Faltou dizer que esses artigos são sempre bem-vindos, pois servem de combustível para quem quer, realmente, mudar de vida.
Maria Christina Gueiros – Rio de Janeiro – Brasil
Estou degustando cada texto… São maravilhosos. Para mim a grande dificuldade é colocar em prática, pois a internet , ainda é, muito “complicada” para mim…
Heloiza, Niterói, RJ, Brasil.
Olá
Ainda não tenho site, ando a aprender com os cursos da magnet system. sou afiliada do magnet system e não perco nenhum dos seus artigos. SOU SUA FÃ. Quando li este seu artigo da falta de luz e do ferrari revi-me completamente. Sou engenheira civil e tive de fechar a minha firma de construção por motivo dos diversos calotes que os meus clientes me deram e embora eu soubesse como o interruptor funciona ou seja embora eu soubesse como se constroi eu não sabia como lidar com as cobranças.Como não tenho carácter para fazer peixeiradas à porta dos meus clientes porque tinha mais vergonha que eles as cobranças tiveram que ser feitas pela minha advogada e você sabe como a nossa justiça funciona.Por isso cheguei à conclusão com o seu artigo que embora eu perceba bastante de construção até porque já tenho 20 anos de obras no meu negócio faltou os fios de cobre para que o negócio funcionasse que no meu caso foram as cobranças mal feitas. Por isso concordo plenamente com o seu artigo que se pode adaptar a qualquer negócio.
Parabéns pelo seu artigo.
Gostei muito das conferências da escrita magnética e embora não seja catedrático em escrita como diz a sua veia de escritor é bastante gratificante para quem lê como eu.
Continue a escrever porque eu estarei aqui para ler os seus artigos.
Obrigada
Cumprimentos
Márcia Patrício
Olá Rui,
Gostei muito deste artigo, você arranja uns assuntos muito engraçados, com todo respeito, mas estes dois casos comparados parecem piadaa de português,(brincadeira).
Um abraço
José Santos
Olá Rui Gabriel,
Sensacional seu artigo, a minha história no marketing de rede, encaixa-se perfeitamente nesse artigo. 10 anos de tentativas, entrando e saindo na mesma empresa, mas nunca alcancei uma posição de destaque. Investi muito dinheiro (anúncios nos jornais, panfletos, viagens de treinamento, materiais promocionais etc.)e o resultado foi uma grande dívida em cartões de crédito (meu da família e dos amigos).
O segredo do sucesso por trás dos lideres é o sistema utilizado e que a grande maioria não abre pra ninguém.
Então, um dia, você chega a conclusão que, para alcançar o sucesso pretendido, você tem que desenvolver o próprio sistema. Ou, dar a sorte de encontrar fenômenos como o Rui Gabriel e Silvio Fortunato dispostos a ajudá-lo e, desenvolver por você, o Sistema que estava faltando para o seu negócio de Internet Marketing.
Um forte abraço a todos e sucesso nos seus negócios online.
Carlos Silva.
Sem dúvida que, sendo tudo importante, o mais importante é o sistema e o veículo desse sistema: o grupo. Agradeço muito o teu comentário e o facto de teres em boa conta no que diz respeito a partilhar o sistema. É verdade, partilho-o sim. Mas também tenho de ser honesto contigo e com os leitores que leram o teu comentário: eu também tenho segredos. Nem tudo o que eu faço em nem todas as formas de fazer eu explico nos blogues ou nos vídeos de treino que podes achar no Youtube.
Estou a dizer-te isto por duas razões: a primeira é para ficares a saber que o que está visível é de facto somente uma parte de algo invisível e que eu ensino a downlines meus. A segunda razão é uma questão de honestidade: não sou assim tão “bonzinho”.
Grande abraço, amigo.
Rui Gabriel, O que você disse no seu post e a pura realidade de todos que entram no marketing de rede copiam tudo que seu líder faz mas infelizmente não e tudo que da certo. No marketing de rede você precisa estar conectado num sistema muito bom para ter grandes resultados.
Sucesso Rui Gabriel
Anderson Silvestre