Ninguém Me Tinha Dito

Publicado em Desenvolvimento Pessoal, Recursos Marketing de Rede

Vou contar uma história, que pode muito bem ser parecida com a tua.

Um dia alguém entrou em contacto contigo e te disse que tinha um negócio inacreditável que dava para ficares rico. Desconfiado ou não, a verdade é que “a curiosidade mata sempre o gato” e lá foste ver a apresentação.

Algumas pessoas, muito entusiasmo, no que parecia ser um “clube de anormais”. Contudo, a semente que tinha sido plantada no teu cérebro “ficares rico” manteve-te por ali, a ver como seria isso possível. A apresentação decorreu, quem te trouxe não tirou os olhos de ti,  no final tens de tomar uma decisão. Ou sim, ou sopas.

O João disse sim. E depois continua a sua história:

Sem nenhuma experiência em Marketing de Rede, eu nem sabia o que perguntar, quanto mais saber o que fazer. Tinha de comprar uma quantidade de produtos, muitos mais do que a minha carteira permitiria, mas achei um jeito.

Depois tinha de fazer uma lista de pessoas conhecidas e ligar para todas elas, “agora mesmo”, para elas virem ver o que eu tinha visto e que não tinha ainda entendido a fundo. Algumas vieram ver, outras não.

Olhando para a enormidade de produtos que comprara, vi que tinha de vender aquilo rapidamente, pois precisava de recuperar o meu investimento. Desatei a abordar toda a gente e a consumir o stock eu mesmo, pois… “Quem usa confia e quem confia convence…” Desta forma, depois de ter vendido todos os produtos não recuperei o meu dinheiro pois tinha usado eu mesmo e a minha família uma boa parte do stock.

Sem nenhuma experiência empresarial, não tinha noção de que o stock pertence ao negócio, não é para ser delapidado pelo patrão. Desta forma, literalmente, “comi o meu negócio” e continuei descapitalizado. Sem dinheiro e sem produtos.

É claro que fui idiota, mas ninguém me tinha dito como gerir um negócio de venda de coisas. Nunca tinha vendido nada na vida e muito menos sabia como gerir um negócio de vendas.

Chamei todos os meus amigos e família, tratei de os convencer a entrar no negócio. Usei todos os estratagemas que me ensinaram: “apanha-los à traição, convida-os para um café e depois vens para a reunião com eles, no teu carro, para não poderem escapar”.

Todas as semanas: reunião. Porquê a reunião semanal? Para manter elevados os níveis de motivação. Caso contrário todos desistiríamos rapidamente. Qual o problema com estas reuniões? Absolutamente nenhum, a não ser transmitirem uma energia motivacional vazia, abstracta, que te mantinha o resto da semana a fazer coisas que odiavas e que não funcionavam.

É claro que depois de uns dois meses ou três, ninguém da minha família me via com bons olhos e os amigos evitavam-me. Nas festas de família, casamentos, baptizados aniversários, eu tentava sempre falar com o máximo de pessoas “como quem não quer a coisa” e já ninguém me podia ouvir. Parecia que não sabia falar de mais nada a não ser do negócio.

Na reunião, quando dizia que a família já não me falava, davam-me os parabéns. Diziam-me que a minha família era outra agora, que a família verdadeira é a de coração e não a de sangue. E isso é verdade sim, o que importa mais que o sangue é a alma. O problema é quando a “nova família” está interessada mais no rendimento que lhes podes trazer do que no teu desenvolvimento como pessoa, a nível financeiro, afectivo, pessoal e espiritual.

Enfim, ninguém me tinha dito que não precisava de abdicar da minha família para ter sucesso no negócio. Aliás, a família pode ser o teu melhor aliado, não só a nível financeiro, mas como veículo para seres feliz em todos os aspectos da vida.

É claro que em poucos meses o meu negócio chegou ao zero. Produtos: zero. Dinheiro: zero. Distribuidores: quase zero. Família: afastou-se. Amigos: também.

Não seria possível ser honesto e sincero comigo mesmo e continuar no negócio. Por isso, nas reuniões me diziam que não precisava de ninguém, que essas pessoas todas eram ladrões de sonhos, e que tinha tudo o que precisava nesta “nova família”. Só tenho de seguir instruções e começar a falar com pessoas, esta vez pessoas desconhecidas.

Aceitei esse desafio. Afinal as reuniões semanais tinham o poder de dar mais uma injecção de motivação, mesmo sem nenhum dado concreto que a suportasse. Nem plano, nem estratégia, nem resultados.

O que fazer? Colocar folhetos nos automóveis. Fiz. Um dia, entrando num edifício para deixar folhetos nas caixas de correio, cruzei-me com um miúdo de uns 20 anos a distribuir folhetos do LIDL. Ele olhou para mim e eu para ele. Ele ganhava mais em um dia espalhando folhetos que eu numa semana no meu negócio de multinível… espalhando folhetos também.

Fazer anúncios grátis e pagos nos jornais. Fiz. Juntar-me com outros colegas de negócio e dinamizar um espaço físico para onde iríamos atrair gente da rua. Fiz. Convidar gente todas as semanas para a reunião. Fiz.

4 anos.

Ninguém me tinha dito que não precisava nada de ser assim. Sempre gastei mais dinheiro para manter o negócio do que aquele que ganhava.

Eu tinha ficado fascinado com o Marketing de Rede, mas afinal tinha de ser vendedor de produtos e isso é um negócio tradicional, vender não traz residuais.

Abracei a ideia de trabalhar com quem quisesse, sem horários nem patrões, mas afinal tive tudo isso, “horário” e “patrão”, mas sem salário, nem rendimento.

Entretanto, nas reuniões, toda a gente tinha tanto sucesso! Todos ganhavam tanto dinheiro! Que me convenceram de que a única peça que não funcionava era eu. Eu não sabia na época que era prática ensinada “não falar dos problemas, somente de soluções”. Com isso, quem não tinha sucesso ou mentia ou ficava calado.

Soube mais tarde que, afinal, ninguém na reunião ganhava o que dizia que ganhava e que praticamente todos tinham os mesmos problemas e inquietações que eu. Estavam todos a tapar o sol com a peneira como se os problemas não existissem pelo simples facto de não se falar deles.

Esta é uma história que eu ouvi dezenas de vezes. A minha história pessoal é muito semelhante, como dá para entender em alguns posts deste blog.

A minha mensagem é uma só: NÃO TEM DE SER ASSIM. Como será possível fazeres coisas que te afastam do teu sonho e pensares que, com isso, irás alcançar o teu sonho?

Acima da empresa, dos produtos, do grupo, do plano, estás tu, a tua família e os teus sonhos.

  • Onde está a lógica em dizerem-te que vais ter mais tempo para a tua família…. sacrificando a tua família?
  • Onde está a lógica de “vais ter independência financeira” e estás a cavar um buraco financeiro?
  • Qual a honestidade em “desenvolvimento pessoal” quando depois precisas de convencer, ludibriar, usar esquemas e golpes de rins para recrutar gente? (Não. Dizer que é para bem deles não é motivo, porque tu não fazes ideia do que é bom para ti, quanto mais o que é bom para os outros!)

Já ouviste dizer que o Sucesso não é uma meta, mas uma caminhada? Então pensa um pouco. Não estar presente no aniversário do teu filho para estar num evento da companhia vai dar-te tempo para estar com a família? Se o teu método não to permite agora, vai permiti-lo daqui a 10 anos? Para que quer o teu filho que tu celebres o aniversário dele, de hoje, daqui a 10 anos?

Dizem-te: “Tens de pagar o preço”, mas isso não é verdade! Quem te diz isso está a dizer-te que tens de ser infeliz hoje para seres feliz amanhã. Tens de ir à bancarrota hoje para ficares rico, tens de sacrificar o teu tempo com a família, para teres tempo para a família, tens de abdicar de ter uma vida para poderes desfrutar da vida. Faz algum sentido?

Tudo errado! A vida é tão breve que não te podes dar ao luxo de sacrificar nada de bom que tenhas e, definitivamente, não tens o direito de privar da tua presença, amor e companhia aqueles que te amam. NÃO TENS de pagar o preço.

Talvez entendas a minha ideia se pensares que tens, isso sim, de DESFRUTAR O PREÇO.

Podes desenvolver-te como pessoa, ganhar dinheiro, ajudar outras pessoas, divertires-te, fazer amigos, e, mesmo assim, desfrutar de tudo o que tens de bom, sem abdicar de nada.

  • Os teus talentos, que são muitos, têm de estar ao teu serviço: libertar o teu potencial é isso mesmo.
  • Tens imensos desafios espectaculares para vencer,
  • Pessoas para conhecer,
  • Vida para desfrutar

E, enquanto vives esse processo e ultrapassas os teus desafios, vais realizando os sonhos de muitas pessoas incluindo o teu.

Se tiveres uma empresa que obrigue a baixo investimento, a stock zero, a pouco volume mensal, que te permita vender produtos, se quiseres, ou não vender se não quiseres e ganhares dinheiro mesmo assim, se tiveres um sistema que permita que exprimas o teu potencial, que mostres e desenvolvas o melhor de ti, que te aceite como és, que ouça os teus sonhos, e trace um plano contigo.

Isso vale a pena. Aliás, é a única forma de marketing de rede que vale a pena.

Não deixes que te tirem o teu sonho. Desconfia quando alguém, mesmo um upline, ou até o CEO da tua companhia de marketing de rede, ou mesmo o Papa, te disser para fazeres isto e aquilo e aquilo, sem saber nada acerca de ti, dos teus sonhos, da tua vida, dos teus talentos, necessidades ou objectivos.

Por outro lado acredita, só vale a pena viver o marketing de rede se ele for um veículo verdadeiro, que te aproxime todos os dias da realização o teu sonho, enquanto desfrutas do caminho.

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