A Invenção da Roda

Publicado em Desenvolvimento Pessoal, Recursos Marketing de Rede

Durante muito tempo causou-me confusão uma coisa: havendo tanta informação disponível, acerca de tudo e mais alguma coisa, porque é que tão poucas pessoas têm resultados grandes?

No que diz respeito ao Marketing de Rede, o que não falta é informação. Milhares de livros, ebooks, vídeos, sistemas, modelos, conceitos, testemunhos, líderes, ensinamentos. Há informação suficiente para estarmos todos no topo das nossas respectivas companhias. Porque não estamos todos lá? Porque é que somente 5 pessoas em cada 100 atingem um patamar de conforto financeiro com o marketing de rede e somente 1% fica rico?

As percentagens, mesmo assim, são mais vantajosas no marketing de rede do que em qualquer outra actividade profissional, contudo, dadas as características do sector, nomeadamente os sistemas de treino e duplicação, não seria de esperar que as estatísticas fossem ainda mais favoráveis?

Aparentemente sim, e isso há muito tempo me fascina e confunde. Mas a resposta é fácil.

Vou contar-te uma história:

Era uma vez um homem que vivia numa aldeia remota no cimo das Dolomitas. Na aldeia dele fazia-se um licor de ervas muito apreciado pelos 100 habitantes e pelas pessoas que viviam na cidade 15 km mais abaixo.

Os acessos eram muito difíceis, não havia estradas, somente um carreiro estreito para um homem e uma mula, um atrás do outro. Este caminho serpenteava pela encosta rochosa dos Alpes e era a única via de comunicação.

Cada família fazia o seu licor, depois faziam o caminho de 7 horas até à cidade e só voltavam depois de terem vendido todo o licor e comprado os mantimentos necessários, às vezes uma ou duas semanas mais tarde. Durante o Inverno todos dependiam desses mantimentos.

A vida dessas pessoas era muito dura. O que ganhavam mal dava para sobreviver e era normal começarem a racionar comida um ou dois meses antes da primavera, enquanto não podiam ainda percorrer o trilho por causa da neve.

Um dia, desses de racionamento que afectava mais ou menos todas as famílias por igual, os aldeões começaram a notar a alegria das crianças de uma casa em particular. Não pareciam tristes com a fome sazonal. O homem andava sorridente, as crianças lustrosas e alegres e a vizinhança começou a falar.

Um dia a curiosidade e a necessidade foram maiores e alguns homens decidiram entrar na casa-fria (uma casa exterior tipo despensa, tornada frigorífica pelas temperaturas do Inverno). Lá dentro estava carne fresca, ainda não congelada, não estaria ali há mais de 1 dia. Através das janelas envidraçadas poderam ver na cozinha grande variedade de ervilhas, tomates e outros legumes. Tudo em grande abundância.

É claro que no dia seguinte fez-se uma romaria à casa desta família. Uns para pedirem comida emprestada, outros para saberem como era possível o milagre de ter carne fresca no final do Inverno e legumes em abundância.

Depois de muita insistência, o homem mandou toda a gente calar e explicou:

“Eu descobri um trilho novo, por dentro do monte, tem uns túneis e umas passagens complicadas por cima do desfiladeiro, mas depois de mais de 5 anos de tentativas e de perigos, achei um caminho seguro até à cidade.”

Ficou tudo parvo. Essa era a melhor notícia que tinham desde há décadas. Finalmente poderiam ir e vir da cidade quando quisessem, levar os licores, trazer comida e roupas, levar os doentes ao médico e trazer medicamentos. Uma verdadeira reviravolta nas condições difíceis de todos. Davam vivas e estavam entusiasmados.

  • Alguns quiseram logo ir a casa buscar as bilhas de licor, carregar as mulas e partir.
  • Outros ficaram a querer saber tudo: onde se iniciava, que perigos havia no caminho, se se tinha frio, se demorava muito, se era longe.
  • Outros ainda ficaram a murmurar uns com os outros: “é um mentiroso e um ladrão, deve ter roubado a comida a algum de nós que ainda nem se apercebeu disso”, ou então: “eu? ir agora à cidade? é longe, dá muito trabalho! e se acontece um acidente, quem é que fica responsável?”
  • E outros ainda ficaram com inveja deste homem e do que ele tinha descoberto. Contudo, agora eles também sabiam que era possível. Como é que não tinham eles mesmos pensado nisso? Não eram nada a mais nem a menos que aquele!

Entre todos estes, alguns decidiram partir. Uns por ambição, outros por aventura, e outros por necessidade. Os do grupo dos invejosos decidiram arrancar sozinhos. Agora que sabiam ser possível achar um caminho, eles encontrariam o caminho deles, não precisam de ninguém. E foi cada um para seu lado.

Vários outros reuniram-se à porta do homem que sabia o caminho, uma meia dúzia de homens, mulas carregadas de bilhas e bateram.

“Ensina-nos o caminho”. E o homem ensinou. Passou dois dias a mostrar todos os detalhes do caminho, fez desenhos de todas as contrariedades e perigos e explicou como os evitar. Quando estavam prontos, partiram todos juntos.

Mais de metade dos homens da aldeia saiu de suas casas rumo à cidade e à prosperidade.

Passaram aí umas duas semanas. Um dia chegaram de volta 3 homens. O que sabia o caminho e dois dos que tinham ido com ele. Dos outros…. nem rasto. Toda a gente ficou arrasada. Que teria acontecido?

Passados alguns dias os desaparecidos começaram a chegar à aldeia. Um morrera numa queda de um precipício, os outros estavam muito mal-tratados. Nenhum deles tinha conseguido chegar à cidade e estavam famintos, magros, doentes, desanimados.

A viúva entre prantos, começou a falar mal do homem que sabia o caminho: “a culpa é tua! estávamos aqui tão bem e tinhas de vir com ideias de alegria e barriga cheia! “

Quase toda a aldeia se virou contra o homem que sabia o caminho mas um dos que tinham regressado com ele, com as mulas carregadas, falou às mulheres desta forma: este homem fez o que mais ninguém teve coragem de fazer: durante 5 anos, sozinho, arriscou muitas vezes a vida para achar uma solução. Achou-a e nós quisemos saber. Ele explicou tudo em detalhe, saiu connosco lado a lado nesta perigosa jornada, mas os vossos maridos decidiram ir cada um por sua conta. Recusaram-se a seguir as instruções pensando que eram bem homens para achar num dia um caminho que tinha demorado 5 anos a descobrir. Por isso um não regressou e os que regressaram estão hoje pior do que antes.”

Ficaram todos calados. Os 3 que regressaram partilharam os víveres com todos e saciaram a fome da aldeia. Todos se calaram, muitos entenderam e alguns murmuraram.

Uns disseram: “tu conseguiste porque és especial, eu nunca conseguiria”, outros: “eu bem dizia que era melhor ficar quieto.” e outros ainda: “aprendi uma lição de humildade, irei de novo, mas desta vez vou ouvir mais e falar menos”, e ainda outros: “se eles conseguiram eu também irei conseguir, ensina-me”.

Bem, terminou a história e quero dar-te os parabéns por ainda estares aqui a ler. Acho que uma boa parte dos leitores desistiu da leitura ainda antes de começar, só por olhar para o tamanho do texto, mas não tu. Tu ainda aqui estás. Como recompensa vou explicar-te porque é que não é a informação, e muito menos a quantidade de informação que faz a diferença entre as pessoas de sucesso e os fracassados.

1- Quem não tem a sorte de ter por perto um “homem que sabe o caminho” não tem outro remédio senão achar o seu próprio caminho. Probabilidade de sucesso: 1 em 1000. Estás disposto a pagar o preço em tempo, talento e dinheiro?

2- Se tiveres alguém com os resultados que tu pretendes (“que sabe o caminho”) e que pode ensiná-lo: aprende-o. Essa é informação valiosa. Contudo precisas saber que informação não são resultados. São somente informação. Todavia, com a informação adequada, tendo tu mesmo as outras qualidades necessárias, as tuas probabilidades rondarão 1 em 100. Estás como aqueles que, tendo tido a informação acerca do caminho, decidiram usar essa informação como muito bem entenderam esquecendo o mais importante: a vivência do processo junto com o “homem que sabia o caminho”.

Presta atenção: O sucesso não é somente um jogo: é um jogo em ganhas ou perdes a tua vida. Não o arrisques mais que o necessário.

3- Se tiveres um “homem que sabe o caminho” perto de ti, ele estiver disposto a ensinar-te e souber fazê-lo e for para a estrada fazer o caminho contigo. Aí vale a pena apostares a tua vida. As tuas probabilidades de sucesso subirão para mais de 50%. Vais ter alguém a reafirmar o teu propósito, a guiar-te nos imprevistos, a conduzir-te quando a noite escura vier, ombro com ombro. Tu só tens de aproveitar a vivência e entregares-te.

Porque não somos todos super-estrelas do marketing de rede?

Porque muitos não têm um guia, outros têm-no mas ele não faz o caminho junto com eles e outros ainda não querem fazer o caminho junto com o guia e preferem ir por outro lado.

Há pouco tempo ouvi um grande líder da indústria, um dos tops mundiais do MMN dizer com extrema humildade que o que mais foi difícil para ele foi trabalhar em equipa. O trabalho em equipa não é mais que ter um mapa e seguir esse mapa da forma como o segue “o homem que sabe o caminho”. Se todos fizerem isso, com a mesmo alma, a mesma filosofia e o mesmo querer, deixas de ter um grupo de pessoas e passas a ter uma equipa. Um por todos e todos por um.

Para terminar que a conversa vai longa: podes inventar as rodas que quiseres, mas precisas de saber que estás a sujeitar a duras penas não só a ti mesmo, mas todas as pessoas que gostam e dependem de ti. O Marketing de Rede é uma profissão, não um hobby nem uma brincadeira. Tu tens a responsabilidade de te tornares em tudo o que te podes tornar e levar a tua vida aos cumes mais elevados. Por ti e pelos que dependem de ti, não podes brincar aos negócios.

Se achaste este post útil ou interessante, talvez seja boa ideia subscreveres a EZine Academia do Sucesso. É somente Informação, mas podes começar por aí. Se, além da Informação pretenderes também a Vivência do processo precisas de tomar a iniciativa e falar comigo.

Fica bem.